Uma parte do PT está preocupada com o que chama de erros cometidos pela pré-campanha de Lula. Atribui os problemas à presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann.
Internamente, a avaliação é que, à frente nas pesquisas, Lula poderia chegar à campanha eleitoral no segundo semestre deste ano apenas acumulando apoios e afinando o discurso. Sem adentrar precocemente, portanto, no teor de pautas claras de governo – o tipo de discussão que causa ruído e desgaste prematuro.
Ainda segundo essa avaliação, as discussões econômicas, como o artigo de Guido Mantega e as declarações de Gleisi de que haverá revisão na reforma trabalhista tocada no governo de Michel Temer, deveriam ser promovidas apenas quando houvesse programa e discurso prontos.
Uma fonte qualificada no PT reclama que sem se chegar com a proposta para discussão qualquer afirmação causa insegurança quanto ao que esperar.
O petista ouvido pelo Bastidor cita a previsão legal do home office, que, como admite, salvou o emprego de muita gente durante a pandemia. Antes da reforma, não havia previsão. “Será extinta a possibilidade de se trabalhar de casa?”, indaga. “Mas se diz que vai revogar, como fica? Ninguém sabe.”
O açodamento das discussões é atribuído à presidente do partido. Para integrantes da legenda, Gleisi Hoffmann não compreende o tempo político e dificulta a aliança com outras legendas, ao impor dificuldades aos partidos aliados.

