O Ministério da Saúde ainda não enviou à Anvisa o pedido para que a agência libere a venda de testes de covid-19 que possam ser realizados em casa, sem a necessidade de um laboratório. Esse tipo de exame já é utilizado em diversos países e ajuda a identificar novos casos de coronavírus.
O secretário-geral da pasta, Rodrigo Cruz, afirmou que mandaria o pedido ainda nesta semana. Até as 12h desta quinta-feira, 13, nenhum documento sobre esse tema havia sido entregue na Anvisa.
No Brasil, uma resolução da Anvisa, de 2015, impede que exames semelhantes para detectar doenças infectocontagiosas sejam realizados por pessoas não habilitadas. A agência diz que pode até conceder uma licença emergencial aos laboratórios que os produzem. Só que isso depende de uma política nacional de testagem, algo que o Ministério da Saúde ainda não tem, mesmo depois de quase dois anos de pandemia.
A própria Anvisa já encaminhou ofícios ao Ministério da Saúde alertando sobre a necessidade dessa política. Mesmo que ela seja divulgada, Marcelo Queiroga já informou que não deve distribuir os exames gratuitamente, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos. A pasta deve recomendar que os testes sejam vendidos em farmácias.
Especialistas dizem que a falta de exames pode provocar ainda mais dificuldades no acompanhamento da evolução da pandemia. Com o avanço da variante ômicron, postos de saúde em todo o país têm registrado filas para atender a demanda crescente de pessoas com sintomas de covid-19. Farmácias e laboratórios particulares suspenderam nos últimos dias o serviço de testagem, em virtude da falta de testes. Hospitais particulares passaram a reservar os testes apenas para casos suspeitos que exijam internação.
Observatório cobra Anvisa e Ministério
Nesta semana, O Bastidor mostrou que o senador Randolfe Rodrigues solicitou ao Ministério da Saúde e à Anvisa informações sobre a testagem da população e a liberação do autoteste para a Covid-19. O parlamentar é vice-presidente do Observatório da Pandemia, criado para acompanhar as ações do governo diante da crise sanitária.

