Jair Bolsonaro conseguiu algo que parecia impossível: uniu todos os que lidam diariamente com a burocracia do Estado brasileiro. Eles se voltaram contra o presidente e a PEC dos Precatórios. O pedido é assinado por OAB, AMB e quatro confederações que englobam as mais variadas categorias e atividades, como advogados públicos, delegados, agentes policiais, fiscais da Receita Federal, servidores do Judiciário e de autarquias federais e estaduais, entre outros.

Os grupos – que costumam estar em lados opostos de muitas discussões – questionam cada ângulo possível das duas emendas constitucionais que surgiram a partir do fatiamento da PEC. À ministra Rosa Weber, os autores apontam inconstitucionalidades na tramitação e na aprovação do texto no Congresso, na atualização dos valores dos precatórios devidos e nas formas alternativas de pagamento criadas pelas novas regras.

A aprovação no Congresso garantiu a Bolsonaro o poder de dar o calote nos Precatórios e tornar-se um irresponsável aos olhos da lei. E o presidente aproveitou, prometendo um aumento aos policiais federais que talvez não consiga cumprir. Muito dessa ação é motivado por essa e outras estripulias presidenciais.