Hoje, 19 de janeiro de 2022, completam-se cinco anos da morte de Teori Zavascki. O ministro do Supremo faleceu num acidente aéreo. Era relator da Lava Jato no tribunal.
Quando morreu, Teori trabalhava na homologação das delações dos executivos da Odebrecht. Estava animado e um tanto ansioso com o impacto que o acordo colossal teria no Brasil e nos países em que a gigante operava.
Numa conversa em seu gabinete no começo de dezembro de 2016, cinco semanas antes de sua morte, Teori confidenciava, em poucas palavras, seus sentimentos contraditórios quanto à delação da Odebrecht – o ápice, acreditava, do esforço de combate à corrupção sistêmica no Brasil.
Juiz por vocação, discreto e rigoroso, Teori evoluíra em seu entendimento acerca da força e da prevalência de trocas corruptas na cúpula do poder – na contaminação do exercício da prática política cotidiana.
Ao virar relator da Lava Jato, logo em seu começo, em 2014, o ministro avaliava haver exagero nas descrições dos fatos que surgiam, naquele momento, em Curitiba. Os anos subsequentes mudaram sua compreensão, como admitia pouco antes do acidente aéreo. O contato constante e intenso com evidências robustas de crimes gravíssimos provocou nele sentimentos de raiva e frustração – sentimentos que ele buscava dissociar de suas decisões.
O avançar das investigações, e da capacidade de entendimento sobre o quadro de roubalheira generalizada, especialmente na Petrobras, também suscitava esperança e um quê de otimismo. Reservadamente, Teori acreditava que o acordo com a Odebrecht era a melhor maneira (a maneira mais sensata) de fechar casos bem encaminhados, explorar as principais frentes de corrupção ainda inéditas e preservar o futuro da empresa – e de outras que quisessem colaborar com a Justiça.
Por mais que as delações da Odebrecht fossem “dar trabalho para dois, três anos”, representariam o paroxismo e fim simbólico das investigações. O restante seria, bem, o restante: processos de instrução mais simples, a serem distribuídos pelo país.
Em dezembro de 2016, Teori era um homem realizado. Avaliava que fazia sua parte, com isenção e sensatez, para o amadurecimento da República brasileira. Ainda que preso à costumeira modéstia, permitia demonstrar uma pontinha de orgulho pelo resultado de seus esforços durante tempos tão tempestuosos.
Antes de partir rumo a Parati, Teori vislumbrava um país melhor.

