A decisão da Anvisa de não liberar os autotestes contra a covid-19 foi tomada por um erro material do Ministério da Saúde. Segundo os diretores da agência, a pasta deixou de mandar explicações sobre como quer usar os exames na estratégia de combate ao coronavírus.
Passados quase dois anos da confirmação do primeiro caso de covid-19 no Brasil e quatro ministros à frente da Saúde, o país ainda não tem uma política nacional para ampliar o acesso a testes.
Médico cardiologista, Marcelo Queiroga foi levado ao governo para dar um mínimo de rumo técnico à pasta. Depois do resultado da reunião da agência, ele anunciou no Twitter que complementaria as informações que faltaram.
Mas por que não cuidou pessoalmente disso antes, para evitar o erro? A resposta é que ele estava mais preocupado em viajar pelo Nordeste, fazendo campanha para si e para o presidente, inaugurando obras.
Em entrevista à Jovem Pan, Queiroga reconheceu que há subnotificação de casos da covid-19. Estima-se que o número oficial de casos confirmados seja apenas a metade da realidade. Isso considerando pessoas que apresentaram sintomas, fora os assintomáticos, que não entrariam no cálculo.
A falta de testes inviabiliza a economia. A orientação aos empresários é afastar imediatamente funcionários que apresentem sintomas de covid-19. Sabe-se que a doença pode ser transmitida por até 15 dias, dependendo da variante que atinge o infectado.
Para reduzir esse impacto, em vez de ampliar os exames, garantir o acesso a todos, Queiroga achou melhor reduzir o tempo de quarentena. Pessoas sem sintomas, com resultados negativos, podem deixar o isolamento em apenas 5 dias, mesmo sabendo que o teste pode apresentar falhas.
Fora que isso exige que a pessoa consiga, de fato, realizar o exame, o que não acontece com facilidade. As filas em postos de saúde por todo o país comprovam o problema.
Sem testes suficientes e com isolamento reduzido, a medida coloca em risco outras pessoas. Mesmo que especialistas reconheçam a variante Ômicron como mais leve, eles ressaltam que não há garantias de que um infectado não possa desenvolver sintomas graves e até vir a óbito, sobretudo os que não são vacinados ou possuem comorbidades.
O ministro já atrasou, deliberadamente, a vacinação infantil. Agora, com um erro primário, atrasa o acesso a mais exames. Nesse ritmo, é de se esperar que atrase novamente e perca o prazo de registro para eventual candidatura nas eleições deste ano.

