O ministro Marcelo Queiroga foi lacônico ao comentar a aprovação da Anvisa para o uso emergencial da Coronavac na vacinação de crianças e adolescentes, de 6 a 17 anos. Sem afirmar se a pasta vai comprar novas doses, ele disse no Twitter, nesta quinta-feira, 20, que o imunizante produzido pelo Instituto Butantan será “considerado” para integrar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação (PNO).
“A Anvisa autorizou o uso emergencial da vacina Coronavac em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. Todas as vacinas autorizadas pela Anvisa são consideradas para a PNO. Aguardamos o inteiro da decisão e sua publicação no DOU”, escreveu o ministro.
O Ministério da Saúde informou que não vai dar outras declarações sobre a vacina, além do posicionamento do ministro.
O Butantan diz que tem 15 milhões de doses prontas, que podem ser entregues imediatamente ao governo federal. Para isso, é preciso assinar um novo contrato. Dependendo da quantidade, o laboratório poderá produzir novas doses. A entidade aguarda a movimentação do Ministério da Saúde.
Além da Coronavac, a Anvisa já havia aprovado, em dezembro de 2021, o uso da vacina da Pfizer. Queiroga, à época, refugou e tentou postergar ao máximo a liberação do imunizante. A vacinação com as doses importadas só começou nesta semana.
Componente político
Diferentemente de outros imunizantes, a Coronavac conta com um componente político importante. Mais do que desagradar grupos antivacinas, ela é produzida por um laboratório comandado pelo governo de São Paulo, chefiado por João Doria.
Desde o anúncio da parceria entre o Butantan e o laboratório chinês Sinovac, Doria e Jair Bolsonaro travam uma guerra de narrativas sobre o imunizante. A Anvisa, que nada tem a ver com as discussões, atesta que a Coronavac é segura e que, no caso de crianças e adolescentes, oferece resposta ainda melhor do que em adultos.

