A ordem no governo é bater bumbo para a carta-convite para o Brasil integrar a OCDE. Ciro Nogueira (Casa Civil) avisou o ministro Paulo Guedes (Economia) que não apenas as equipes econômica e diplomática vão aparecer nas fotos. Querem focar na importância do presidente Jair Bolsonaro no processo.

O discurso preparado por Nogueira, um dos estrategistas para a reeleição de Bolsonaro, é repetir que todos os problemas econômicos enfrentados pelo país, como inflação alta e desemprego, foram fruto do “fique em casa” e que a consequência da política é vivida não apenas no Brasil, mas no resto do mundo.

É uma meia-verdade. A outra parte da história, porém, será ignorada, obviamente, para vender que, de tão bem gerido durante a pandemia, o país agora foi convidado para integrar a OCDE.

O pedido do Brasil para integrar a organização foi feito ainda na gestão de Michel Temer. E, aliado de Bolsonaro na presidência dos Estados Unidos, Donald Trump preferiu a Argentina. A avaliação interna no governo é que a troca da presidência americana ajudou o país.

Bolsonaro e seus ministros sabem que a área econômica é um dos pontos fracos do governo – e que isso será explorado na campanha eleitoral. Repetir que o Brasil é apenas vítima, como outros países do mundo, da pandemia é uma tentativa de se vacinar contra as críticas já esperadas.