Enquanto a ômicron causa estragos no país, sua pasta promove negacionismo como política pública e aliados de Bolsonaro discutem seu substituto, o doutor Marcelo Queiroga desfruta das delícias de Brasília. No domingo, foi com sua turma almoçar no Trattoria da Rosario, um dos restaurantes mais exclusivos e caros da capital. É frequentado por políticos, empresários e a elite de Brasília.

O grupo, que incluía gente do Ministério da Saúde, chegou e saiu sem máscaras – os garçons do restaurante felizmente se protegem com máscaras e uso frequente de álcool em gel; estão todos vacinados. Estavam lá, entre outros, Raphael Parente, secretário de Atenção Primária à Saúde. (De blazer e camisa azul.)

A turma de Queiroga começou os trabalhos com suco de abacaxi e, depois, evoluiu para Stella. Bastante Stella. Pareciam animados, segundo quem estava lá.

Queiroga vestia o colete do SUS. (Tirou depois.) Apreciou um Gamberi Primavera, um dos pratos favoritos da clientela. É difícil resistir aos camarões grelhados ao molho de maçã, amêndoas e creme de queijo da Serra da Canastra. Custam R$ 139 por cabeça.

Enquanto Queiroga avançava no seu Gamberi, os gestores da saúde pública no Distrito Federal se reuniam num encontro de emergência, em função do avanço da ômicron. O Distrito Federal, segundo a Fiocruz, é a unidade da federação com taxa mais crítica de ocupação em UTIs de covid – 98%. Na manhã de ontem (terça), os leitos chegaram à ocupação máxima. No mesmo dia, a Secretaria de Saúde do DF registrou o segundo recorde consecutivo de casos na capital: 10,6 mil pessoas infectadas.

Dizem os pesquisadores da Fiocruz, em seu mais recente boletim: “Em pleno verão, são comuns os registros de aglomerações, a negligência com o uso de máscaras de boa qualidade, bem como o desrespeito à necessidade de isolamento por tempo adequado na ocorrência ou suspeita de ocorrência da infecção”.

Atualização às 17h58 de quarta, 26 de janeiro de 2022: a assessoria do Ministério da Saúde entrou em contato para afirmar que o secretário Raphael Parente não “faz uso de bebida alcoólica” nem bebeu no almoço. “Estava com máscara durante todo o tempo, e tão somente a tirou para se alimentar”, disse a pasta, em nota. 

O Ministério também fez questão de esclarecer outra informação. Segue: “Quando citam um “blazer e camisa azul” como vestes de Raphael Câmara, importante pontuar que não se trata de um blazer, mas de um colete do Ministério da Saúde, tendo em vista que tinham acabado de concluir uma reunião ministerial sobre a Ômicron, que durou toda a manhã de domingo”.