Na volta dos trabalhos no Congresso, o governo está atento à tramitação de ao menos quatro projetos. As propostas de lei são controversas e, em ano eleitoral, exigem habilidade extra dos negociadores do Planalto.
Um deles é a legalização dos jogos de azar. A proposta é do interesse da base política do governo no Congresso e do senador Flávio Bolsonaro. O zero um chegou, como mostrou o Bastidor, a viajar para Las Vegas a convite do lobby dos jogos. Voltou animado. E acabou alvo de desconfiança na CPI da Pandemia.
Parte da bancada evangélica rejeita fortemente a legalização dos jogos de azar. E o presidente teme perder o segmento do eleitorado que lhe é dos mais fiéis. Bolsonaro, porém, está interessado no potencial arrecadatório do setor de jogos.
Ele tenta se equilibrar no tema. Disse que, se aprovado, vetará o projeto. Como em outras ocasiões, será encenação. O veto presidencial visa a obrigar o Congresso a assumir a paternidade política do projeto e arcar com o desgaste de derrubá-lo para que a lei passe a valer. Bolsonaro precisa manter o discurso público de que é contra para não perder parte de seu eleitorado.
O governo também está atento ao projeto que modifica a política de preços da gasolina, gás e diesel. Nesse caso, teme-se o impacto na arrecadação federal. O relator é um dos líderes de oposição do Senado. A expectativa é que o governo envie um projeto de emenda à Constituição para entrar na discussão.
Outro proposta em que o governo faz jogo duplo é o que autoriza a privatização dos Correios. Ao mesmo tempo que a equipe econômica faz pressão para que o PL avance, a ala política trava, por considerar que, se aprovada a proposta, o governo terá menos espaço para atender os aliados.
Por último, também como prioridade do Planalto, está a proposta que flexibiliza ainda mais as regras para acesso a armas e munições de colecionadores e caçadores. É outro projeto que agradará parte importante dos apoiadores de Bolsonaro.
O recesso parlamentar se encerra nesta semana, na quarta-feira, 2 de fevereiro. A articulação política tentará correr: o Congresso funciona em ano eleitoral, no mais otimista dos cenários, apenas nos primeiros seis meses – e olhe lá.

