O governo do Chile está com dificuldades para emplacar um embaixador no Brasil. Não se trata de problema interno, para encontrar um nome; mas de silêncio. Uma comissão da Câmara chilena pediu explicações à chancelaria brasileira sobre a falta de resposta de Brasília quanto à indicação de Sebastian Depolo, enviada há 70 dias pelo presidente Gabriel Boric.
Eleito em 2021, Boric é um político de esquerda que defende tudo o que Bolsonaro abomina, como proibição da venda de armas. Em geral, discordâncias ideológicas não fazem diferença em questões como a indicação de um embaixador, mas com Bolsonaro as coisas são diferentes. Ainda mais porque Boric e Depolo já criticaram o presidente brasileiro.
Os 70 dias são um marco importante nas relações internacionais porque é o prazo máximo para um país anfitrião responder às indicações diplomáticas das outras nações. O atraso mostra que o nome de Depolo não foi bem recebido pelo governo Bolsonaro.
O governo Bolsonaro é conhecido por atitudes heterodoxas nas relações exteriores. Algumas repercutem, como a demora do país em reconhecer a vitória de Joe Biden na eleição de 2020, porque o presidente é fã de Donald Trump. O Brasil também demorou a reconhecer a vitória de Alberto Fernández na Argentina em 2019.
Questionado pelo Bastidor, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “o Itamaraty não confere tratamento público a nenhum pedido de agrément” por conta das “boas práticas diplomáticas” que são “internacionalmente observadas”.

