Jair Bolsonaro está com problemas para se conectar: ontem, dois fatos jurídicos demonstram que o presidente terá dificuldades para repetir em 2022 a estratégia digital que lhe ajudou a ser eleito em 2018.

O primeiro fato partiu da Justiça Federal no Distrito Federal. A pedido do MPF, proibiu o governo de colocar a imagem do presidente da República acima do governo em propagandas, nas redes sociais, para divulgar ações estatais.

“As postagens mencionadas pela parte autora colocam em evidência a necessidade de haver a devida observância da ordem constitucional de forma a inibir que se adote o caráter de promoção do agente público, com personalização do ato na utilização do nome próprio do Presidente da República em detrimento da menção às instituições envolvidas”, afirmou a juíza federal Kátia Balbino de Carvalho Ferreira.

Horas depois, subiu no Supremo um relatório preliminar da PF colocando Bolsonaro ao lado das milícias digitais. A PF disse que as lives presidenciais se inserem num conjunto de atividades orquestradas para atacar personalidades e instituições do Estado brasileiro – além da imprensa. São citados como exemplos as discussões inócuas sobre a insegurança das eleições e os riscos da vacinação contra a Covid-19.

O Bastidor mostrou em dezembro do ano passado que Alexandre de Moraes, ministro responsável por investigar as peripécias bolsonaristas na internet, já havia ligado Jair Bolsonaro às milícias digitais quando abriu investigação sobre as falas presidenciais que relacionaram vacinas contra a Covid e a Aids.

Moraes disse naquele momento que “não há dúvidas” sobre o presidente ter seguido o “modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais”. A se confirmar novas decisões contrárias aos interesses e estratégias de Bolsonaro, esse cerco judicial passa a ser o segundo enfrentado pelo presidente.