Em agosto de 2021, o plenário da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) rejeitou por unanimidade a incorporação do medicamento Remdesivir no rol de remédios indicados para o tratamento da covid-19. A droga teve o uso aprovado pela Anvisa em março do mesmo ano.
Na sexta-feira, 11, o laboratório Gilead Sciences, que criou o Remdesivir, divulgou um estudo em que atesta a eficácia do remédio para o combate a todas as variantes já identificadas do coronavírus. Segundo a empresa, pesquisadores independentes nos Estados Unidos, Bélgica, República Tcheca e Polônia apontaram resultados semelhantes.
O remédio atua inibindo a replicação viral dentro das células hospedeiras. Os estudos foram realizados em cerca de 6 milhões de amostras do coronavírus, com diversas variantes, com resultados semelhantes em todas.
Na nota técnica que justificou a não inclusão do remédio, a Conitec argumentou que os estudos realizados até então eram inconclusivos a respeito da eficácia da droga. “É importante lembrar que estamos lidando com um cenário de muitas incertezas, e o surgimento de novas variantes pode interferir de forma rápida nesse cenário”, afirma o documento.
A Conitec também analisou o cenário econômico envolvido no medicamento. O relatório aponta que o laboratório ofereceu descontos ao governo brasileiro, que deixariam cada dose de 100 mg custando R$ 1.719,15.
Segunda análise
O Remdesivir voltou a ser discutido na Conitec quando o grupo preparava o compilado “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”. O documento chegou a ser produzido, mas foi parcialmente indeferido pelo secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto.
Sobre o Remdesivir, o grupo reconheceu que havia indícios de eficácia do medicamento, mas afirmou que os dados ainda eram insuficientes para justificar o uso rotineiro do remédio. “Essas incertezas sobre a relevância do benefício clínico, associadas ao elevado custo, baixa disponibilidade e baixa experiência no uso, justificam a recomendação condicional contra o uso do remdesivir no momento”, diz o documento.
O mesmo relatório também refutava o uso do chamado “kit covid”, composto por medicamentos como a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, o que desagradou Angotti Neto, defensor do uso de tais remédios.

