Renan Calheiros apostava desde 2016 que a política tradicional buscaria em Lula a saída para uma crise institucional. Ou desejava isso.
Numa conversa à época entre o senador e Sérgio Machado, o lugar-tenente de Renan na Transpetro expõe ao alagoano seus medos sobre um eventual conflito civil resultante de uma ruptura institucional durante o governo Dilma Rousseff. Machado gravou o encontro e, ao fechar delação com a PGR, entregou o áudio aos procuradores.
Machado diz a Renan que “vai morrer gente” caso a presidente – então com baixo apoio político e na sociedade – fosse apeada do cargo. A resposta do senador é rápida: “Aí tem que botar o Lula”.
Renan, que sempre foi próximo de Lula e do PT, então justifica: “Pela intuição dele”.
Machado fora nomeado à Presidência da Transpetro no governo Lula, por exigência de Renan. Depois confessou seus crimes – ou parte deles – na colaboração que firmou com a PGR.
Em 2022, Renan estará no palanque de Lula. E Lula, no palanque de Renan.


