A disputa pela vaga deixada por Félix Fischer no Superior Tribunal de Justiça ainda não tem sequer um edital para começar oficialmente, mas está acirrada. Dos vários candidatos, os nomes mais cotados para a lista tríplice que será entregue ao presidente Lula são André Godinho, Daniela Teixeira e Otávio Luiz Rodrigues.
Godinho (foto abaixo) é especializado em Direito Civil e do Trabalho. Ocupou cargos em autarquias de Salvador e na OAB da Bahia antes de tornar-se conselheiro do CNJ. Lá, ficou de 2017 a 2021; foi ouvidor nacional do Conselho Nacional de Justiça de 2019 a 2020.
As boas relações do advogado na política da Ordem vêm desde a gestão de Felipe Santa Cruz (foto abaixo). Atualmente, tem apoio do decano do conselho federal, Felipe Sarmento Cordeiro, amigo do presidente da OAB, José Alberto Simonetti. Godinho também conta com o apreço do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

Sarmento confirmou ao Bastidor que apoia Godinho. Disse que também endossa a candidatura de Daniela Teixeira (foto abaixo), advogada criminalista e conselheira da Fiesp – essa pulverização é possível porque a OAB entregará uma lista sêxtupla ao STJ, que reduzirá a relação pela metade antes da apreciação por Lula.
Daniela integrou o conselho federal da OAB, foi vice-presidente da Ordem no Distrito Federal e ficou em primeiro na lista tríplice para ministro do Tribunal Superior Eleitoral, em 2019. Até o fim de 2022, suas chances eram nulas, porque discutiu com Jair Bolsonaro em 2016, na Câmara.
Mas a demora para encerrar a disputa mudou o cenário. Daniela Teixeira tem muita proximidade com o PT por meio do deputado Rui Falcão e da presidente, Gleisi Hoffmann, além de advogados da esquerda, como Cristiano Zanin, que defende Lula. No STJ, segundo fontes que acompanham a disputa, a advogada tem a simpatia dos ministros Villas Boas Cuêva, Antonio Carlos Ferreira e Sebastião Reis Júnior.

Otávio (foto abaixo) é professor da USP e tem o apoio de Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, além de ser bem visto por muitas figuras políticas e jurídicas do petismo, inclusive nas cortes superiores. Já conseguiu vagas que exigem apoio político para ocupar e traquejo ao assumir.
Foi conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações e, atualmente, é integrante do Conselho Nacional do Ministério Público na vaga destinada à Câmara. Na Anatel, ficou de 2015 a 2018; ingressou no CNMP em 2019, onde tem mandato até 2023.

Um nome que pode surpreender é Luiz Claudio Allemand, que também tem apoio de Felipe Sarmento. O advogado tributarista tem ótima relação na OAB, onde foi conselheiro federal pelo Espírito Santo. É próximo de Marcus Vinicius Furtado Coêlho, ex-presidente da Ordem que integra o atual tripé de poder da instituição com Sarmento e Simonetti. Foi o ouvidor nacional do CNJ.
Daniel Corrêa Homem de Carvalho corre por fora. O advogado especializado em Direito Tributário tem o apoio do senador Flávio Bolsonaro, o que lhe garantia muito mais chances de nomeação no ano passado. Já foi conselheiro da OAB no Rio e hoje é diretor de Relações Institucionais da seccional para Brasília.
Leia a nota enviada pelo conselheiro Sarmento ao Bastidor:
“Como conselheiro federal da OAB, apoiarei todos os nomes que entrarem na lista sêxtupla, pois terão sido escolhidos por nosso órgão superior e, portanto, plenamente legitimados. Porém, caso venham a ser candidatos, nomes como Daniela Teixeira, André Godinho e Luís Cláudio Allemand, que têm uma bela história de Ordem e muitos serviços prestados à classe, serão nomes e perfis mais do que à altura dessa importante missão.”

