A escolha para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara virou um problema para o presidente da Câmara, Arthur Lira. Ele precisa mediar interesses de bolsonaristas e do União Brasil, futura maior bancada da casa.
Os bolsonaristas do PSL –e que migrarão para o PL– querem continuar no comando da CCJ, a mais importante da Câmara. A deputada Bia Kicis preside a comissão.
Para a sua eleição, no ano passado, Lira acordou que substituiria a deputada por outro aliado do presidente Jair Bolsonaro: o deputado Vitor Hugo.
O regimento da Câmara estabelece que o comando das comissões pertence não ao deputado ou a um grupo político, mas ao partido. No caso da CCJ, a quem tem a maior bancada. Em 2020, era o PSL.
O União Brasil, ao reunir deputados do PSL e do DEM, passou a ter a maior bancada da Câmara. Não quer abdicar da prerrogativa de indicar o comando da CCJ. Um dos cotados é Elmar Nascimento.
Lira não quer perder aliados. Ele sabe que mesmo entre bolsonaristas há quem quer vê-lo fora do comando da Câmara a partir do ano que vem. Sonhando em se manter à frente da Casa, ele precisa apaziguar os ânimos sem perder alianças.
O presidente da Câmara vai se encontrar com líderes partidários após o Carnaval para buscar uma solução. As eleições vindouras para as comissões são uma oportunidade para Lira extrair acordos que facilitem sua reeleição.

