No início da tarde desta quinta-feira, 24, o perfil da bancada do PT do Senado se manifestou condenando a agressão dos Estados Unidos à Rússia. Sim, dos Estados Unidos à Rússia. Veja nas imagens abaixo.
O leitor sabe: ao longo da madrugada, a Rússia deu início a ataques aéreos contra cidades da Ucrânia e contra a sua capital, Kiev, além de ocupar o território daquele país. Segundo a CNN, ao menos 40 soldados ucranianos foram mortos nos primeiros ataques russos. A Ucrânia, sozinha, não tem condições de contra-ataque.
Porém, segundo a nota publicada, para os senadores do PT é a Otan que avança contra as fronteiras russas e, portanto, merece solidariedade.
Dizia a nota: “O PT do Senado condena a política de longo prazo dos EUA de agressão à Rússia e de contínua expansão da Otan em direção às fronteiras russas. Trata-se de política belicosa, que nunca se justificou, dentro dos princípios que regem o Direito Internacional Público”.
Esse trecho foi apagado do perfil da bancada no Twitter depois de reclamação de senadores com o líder, Paulo Rocha, por ir de encontro das opiniões emitidas pelos senadores Jaques Wagner, Paulo Paim e Humberto Costa.
De acordo com um senador, os reclamantes disseram que a manifestação era extemporânea e nada tinha de coerente com as manifestações dadas pelos demais senadores e pelo ex-presidente Lula.
Costa, mais cedo, chegou a afirmar que Vladimir Putin não é progressista, classificando-o como “populista de extrema direita” e disse que, na Rússia de hoje, “o autoritarismo é marca principal”.
Wagner e Paim, em suas redes sociais, foram na mesma linha, criticando a opção pela guerra.
Rocha determinou, então, a retirada solidária à Rússia da publicação. Um novo texto será publicado.
No que havia sido publicado no início da tarde, dizia a nota que “a aposta recente da Rússia na guerra, ainda que parcial e com objetivos meramente militares, também agride o Direito Internacional Público e o sistema de segurança coletiva cristalizado na ONU” e que a bancada lamenta e “condena essa aposta temerária na guerra”.
Por fim, no último parágrafo, depois de se solidarizar com a Rússia, num sentimento que unia o PT ao presidente Jair Bolsonaro, a manifestação que seria da bancada apontava para os riscos da ação militar de potências nucleares e pede o cessar fogo, citando os acordos de Minsk, fechados em 2014 para por fim aos conflitos entre Rússia e Ucrânia.





