A resistência do presidente Jair Bolsonaro a assumir uma posição crítica ao ataque da Rússia à Ucrânia é ideológica. Pouco tem de pragmática, como tentam fazer parecer integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty.
Ao longo desta quinta-feira, 24, ao passar informações das idas e vindas nas disputas internas sobre a versão do texto do Itamaraty a respeito da invasão russa e os bombardeios à Ucrânia, as fontes do governo diziam que, do lado militar, havia a reticência quanto aos acordos fechados na última viagem presidencial e acerca da dependência de fertilizantes que o país tem com os russos.
É parte da verdade.
Ao defender a posição “em cima do muro”, apelando à paz, mas sem criticar quem decidiu iniciar uma guerra, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, expressou o desejo ideológico do chefe, que buscava apenas argumentos para barrar um posicionamento mais firme do Itamaraty.
Parte dos militares, a quem Braga Netto diz representar sentimento majoritário, discorda do posicionamento do Brasil. É exemplar a manifestação do vice-presidente, um general da reserva, Hamilton Mourão.
Um interlocutor da família presidencial explicou ao Bastidor a simpatia da gestão Bolsonaro por Vladimir Putin: “Ele conseguiu a proeza de agradar a extrema direita e a extrema esquerda”.
O primeiro grupo, diz, por conta de seu discurso anti-LGBTQIA+, antifeminista, anti-direitos humanos, pró-religião e pró-família tradicional. O segundo grupo porque ainda se mantém apegado a um mundo que não existe mais desde o fim da União Soviética.

