O governo da Suíça afirmou nesta segunda-feira, 28, que irá adotar as sanções econômicas impostas pela União Europeia ao governo russo. A medida é uma resposta aos ataques do exército de Vladimir Putin à Ucrânia. O posicionamento é histórico. Os suíços adotam política de neutralidade em relação a conflitos em todo o planeta.

Entre as medidas estão o congelamento das reservas internacionais que o Banco Central russo mantém em outras nações. A Suíça possui um dos principais sistemas bancários do planeta, o que pode dificultar ainda mais a crise econômica para os cidadãos da Rússia.

Em nota divulgada à imprensa, o governo da Suíça afirmou que decidiu rever o posicionamento de neutralidade por causa do ataque militar sem precedentes a uma nação europeia soberana, por parte da Rússia. Apesar disso, o país garantiu que continuará buscando esforços para as negociações de paz na região.

“A defesa da paz e da segurança e o respeito pela lei internacional são valores que a Suíça, como um país democrático, compartilha com seus vizinhos e apoiadores europeus. Assim como antes, a Suíça continuará a examinar cada futuro pacote de sanções impostas pela União Europeia caso a caso”, afirmou o governo suíço.

O presidente Vladimir Putin, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin e o ministro de Relações Exteriores Sergey Lavrov também sofrerão sanções pessoais no sistema financeiro russo. O país ainda deverá banir importações, exportações e investimentos feitos a partir das regiões de Donetsk e Luhansk, que não estão mais sob o controle do governo ucraniano. A mesma medida tinha sido tomada pela Suíça quando a Rússia anexou a Crimeia, em 2014.

Restrições a voos e imigração

No pacote de medidas suíças está o fechamento do espaço aéreo para aviões russos e a suspensão de um acordo de 2009 entre os dois países, que facilitava a emissão de vistos para os cidadãos. Os únicos aviões russos que poderão cruzar o espaço aéreo do país são os que comprovadamente atuem em missões humanitárias, diplomáticas e médicas.

A Suíça ainda afirmou que irá encaminhar 25 toneladas de doações a Varsóvia, capital da Polônia. O objetivo é garantir suprimentos médicos para as forças armadas locais, no suporte à população ucraniana e aos vizinhos do país, impactados com os refugiados que deixam as áreas de confronto militar.