Representantes dos governos da Rússia e da Ucrânia voltam a se reunir nesta quarta-feira, 2, para tentar negociar um acordo que coloque fim à guerra que já se arrasta por sete dias no Leste da Europa. O encontro será realizado na cidade de Belovezhskaya Puscha, em Belarus.

Segundo a Tass, agência pública de notícias da Rússia, as delegações de representantes devem ser as mesmas que participaram de uma rodada de negociações no domingo, 27. Os países também devem manter as solicitações, que não resultaram em nenhum avanço na primeira reunião.

Apesar do avanço das tropas russas sobre o território ucraniano, há movimentações internacionais que enfraqueceram o discurso de Vladimir Putin. As sanções impostas ao país têm como objetivo derrubar o poderio econômico da Rússia, o que pode prejudicar a população local, caso o conflito se estenda por muito tempo. 

Os ucranianos podem usar esse argumento para tentar convencer os russos a ceder em alguns pontos na negociação. O governo de Volodymyr Zelensky também tem recebido ajudas militares e humanitárias para lidar com a crise provocada pela invasão russa. 

Do lado ucraniano, as perdas de vidas e de território podem ser um fator negativo para ser usado pelos negociadores russos. O exército de Putin tem tomado o controle ou destruído equipamentos de infraestrutura em vários pontos da Ucrânia, piorando drasticamente o acesso a serviços básicos como eletricidade e água potável.

Usinas nucleares sob ameaça

O jornal ucraniano Kyiv Post afirma que tropas russas estão próximas da cidade de Enerhodar, sede de seis reatores nucleares construídos no período da antiga União Soviética. 

O vice-ministro do Interior da Ucrânia, Anton Heraschenko afirmou à publicação que os reatores foram feitos com reforços para suportar ataques de praticamente qualquer arma. Mesmo assim, há risco de que eventuais ataques provoquem vazamentos radioativos na região. 

Heraschenko pediu que as tropas russas recuem da região, mas afirmou que soldados ucranianos estão dispostos a defender a cidade até o fim. O jornal afirma que moradores da cidade construíram barricadas nos acessos à região.

Na última semana, o exército russo conseguiu tomar a região de Chernobyl, onde um acidente nuclear nos anos 1980 espalhou radiação por toda a Europa.

A Ucrânia é um dos países mais dependentes da energia fornecida por usinas nucleares no planeta. Portanto, a escalada do conflito gera risco não só pelo eventual uso de bombas atômicas, mas pelo possível vazamento de radiação em ataques a essas instalações.