O Itamaraty deixou nítido, hoje (2), que está descolado de Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro apoia Vladimir Putin, mas a chancelaria votou a favor da condenação, pela ONU, da invasão da Ucrânia.
Foram 141 votos a favo da resolução, cinco contra e 35 abstenções (a China sendo uma delas). Apesar do voto favorável, o Brasil não foi um dos 94 signatários do texto que pediu a condenação russa.
Antes da decisão, durante a sessão da Assembleia Geral, a representação russa pedia que o mundo não acreditasse nas mentiras divulgadas pela Ucrânia nas redes sociais. Já os ucranianos alertavam que a discussão abrangia a soberania de todos os países.
O texto votado critica a invasão russa e exige que Putin retire suas tropas imediatamente do território ucraniano. Caso a Rússia ignore a decisão (o que é mais provável), a ONU – em tese – pode aplicar punições. Mas há uma profunda discussão no mundo jurídico sobre a extensão de eventuais penas, principalmente por conta do direito à soberania nacional.
A votação, portanto, tem caráter simbólico. Confere legitimidade internacional à asserção indiscutível de que a Rússia violou a soberania da Ucrânia mediante uma invasão militar injustificável.

