O sétimo dia de guerra na Ucrânia foi marcado pelas discussões políticas e diplomáticas envolvendo o conflito. Ao longo do dia, a ONU encerrou a Assembleia-Geral extraordinária que discutiu o tema. Foi aprovada uma resolução repudiando e pedindo o fim do conflito. O Brasil esteve entre os 145 países favoráveis ao documento.
Veja abaixo os principais destaques deste dia:
Situação no front
- Já passa de 875 mil o número de refugiados que saíram da Ucrânia em busca de abrigo nos países vizinhos. O número foi atualizado pela ONU. Segundo as Nações Unidas, 52% desse total atravessou a fronteira com a Polônia. Os demais grupos estão divididos nas fronteiras da Hungria, Moldávia, Eslováquia, Romênia e até na própria Rússia. Há cerca de 470 mil estrangeiros tentando deixar a Ucrânia.
- A situação dos refugiados é precária. A ONG Médicos Sem Fronteiras diz que muitos estão atravessando com sinais de desidratação e hipotermia, devido às baixas temperaturas na região. Pelo menos 13 crianças já morreram no conflito.
- O Exército da Ucrânia diz que conseguiu controlar a situação no norte, mas afirmou que forças russas atacam impiedosamente a cidade de Kharkhiv, uma das principais do país. A capital Kiev também segue sob cerco russo.
- A cidade de Enerhodar, no Sul da Ucrânia, também está cercada pelo exército da Rússia. O local abriga seis dos 15 reatores nucleares em funcionamento no país. Moradores prepararam barricadas para tentar impedir o avanço das tropas. O governo local diz que a estrutura pode suportar ataques de praticamente qualquer arma, mas a situação coloca o mundo sob risco de vazamento radioativo das instalações.
- O exército russo anunciou a tomada de Kherson, no Sul da Ucrânia. A cidade fica próxima à Crimeia, região anexada pela Rússia em 2014. O local foi alvo de intensos bombardeios no último dia.
Situação política
- A resolução da Assembleia-Geral Extraordinária da ONU foi aprovada com ampla maioria, colocando o governo de Putin ainda mais isolado. Apenas cinco países apoiaram a Rússia diretamente. A China se absteve e a Venezuela não votou.
- A Tass, agência pública de notícias da Rússia, afirmou que autoridades dos dois países fariam uma nova reunião para discutir a paz na região. Até a publicação desta reportagem, nenhum comunicado foi divulgado à imprensa sobre o encontro, que seria realizado em Belarus.
- O Jornal Oficial da União Europeia divulgou a lista de sete bancos atingidos pela exclusão do Sistema Swift. O bloco considerou que as instituições eram fundamentais para a economia russa. O Sberbank, principal banco da Rússia, ficou de fora das sanções, mas anunciou por conta própria que irá encerrar a atuação em países europeus.
- A mesma resolução também impediu que cidadãos do bloco enviem euros para a Rússia e proibiu aplicações no Fundo de Investimento Direto. As medidas são válidas a partir desta quarta-feira.
Sanções econômicas, políticas e esportivas
- A EA Sports, desenvolvedora do jogo Fifa 22, anunciou que irá excluir a seleção da Rússia e os times do país na próxima atualização do game, um dos mais vendidos do mundo. A empresa não detém os direitos do campeonato russo. Por isso, os poucos times do país disponíveis aos jogadores aparecem apenas na aba “Resto do Mundo”.
- A medida tomada pela EA Sports vai ao encontro da decisão da Fifa e da UEFA tomada nos últimos dias. A entidade que representa o futebol mundial eliminou sumariamente a seleção russa das eliminatórias da Copa do Mundo do Catar. Já associação europeia excluiu o Spartak Moscou da Liga Europa, além de transferir a final da Liga dos Campeões deste ano de São Petesburgo para Paris.
- Outras empresas também têm se posicionado contra os russos e a favor dos ucranianos. Ontem, a Apple informou que vai parar de vender toda a linha de produtos na Rússia. Dias antes, o bilionário Elon Musk informou que liberaria antecipadamente o acesso dos ucranianos à rede Starlink, que fornece internet via satélite a todo o mundo.
- A Associação de Automobilismo do Reino Unido proibiu que pilotos russos e de Belarus disputem provas no país. A medida atinge diretamente o piloto de Fórmula 1 Nikita Mazepin, da equipe Haas. A decisão dos britânicos pode impedir que ele dispute a etapa de Silverstone. O pai dele era o principal patrocinador do time, que removeu as pinturas relacionadas à Ural Kali. A própria permanência de Mazepin no grid é questionada. O brasileiro Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, pode assumir o posto na temporada deste ano.
- O bilionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, informou que vai vender o clube que comprou em 2003. Ele disse que irá doar os lucros para ajudar as vítimas do conflito na Ucrânia.
E o Brasil?
- O posicionamento do embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho, mostra um distanciamento cada vez maior das ações do Itamaraty do que Jair Bolsonaro defende publicamente em discursos e entrevistas.
- O presidente insiste na neutralidade e fala de forma confusa sobre o que pensa a respeito da invasão russa na Ucrânia. Enquanto isso, o embaixador faz discursos duros, condena a violência e até denuncia excessos cometidos pelo exército de Vladimir Putin
- O Congresso retomou os trabalhos e colocou a guerra à frente das discussões. Deputados e senadores querem a convocação do chanceler Carlos Alberto França, para que ele explique como foi feita a retirada de brasileiros da área de conflito e também os movimentos erráticos do embaixador Norton de Andrade Mello Rapesta, que chegou a negar a possibilidade de um conflito na região.
- A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, também está entre os possíveis convocados para dar explicações no Congresso. Os parlamentares querem que ela explique como ficará o agronegócio brasileiro diante da guerra na Rússia, maior fornecedor de fertilizantes ao Brasil.
- Congressistas que integram o Grupo Parlamentar Brasil-Brics pretendem pressionar parlamentares de China, Índia e África do Sul a adotar medidas contra a Rússia. Os dois gigantes asiáticos têm preferido se manter distantes das discussões de medidas contra a Rússia.

