O embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho, defendeu nesta sexta-feira, 4, que seja decretado o cessar-fogo imediato na Ucrânia. Ele discursou durante reunião do Conselho de Segurança, que se reuniu novamente para discutir os ataques russos. Na última madrugada, a maior usina nuclear da Europa foi palco de combates. Um prédio nas proximidades foi incendiado.
Costa Filho relembrou que o papel do Conselho de Segurança é o de buscar a paz, mas essa missão não está sendo executada. A Rússia é um dos países que têm poder de veto em resoluções do colegiado. “Nós não podemos nos fazer de cegos sobre o papel que o Conselho deve exercer, mas não está exercendo nesta situação”, afirmou o diplomata.
No discurso, ele afirmou que os países devem retomar o diálogo e a confiança mútuas. “Não é hora de promover escaladas retóricas, mas de engajar conversas em direção à paz”, afirmou Costa Filho.
ONU classifica ataque como “irresponsável”
A subsecretária da ONU para Assuntos Políticos e Construção da Paz, Rosemary DiCarlo, avaliou o ataque russo como “inaceitável” e “altamente inaceitável”. Ela lembrou que ações militares próximas a instalações nucleares ferem a legislação humanitária internacional, que consta na Convenção de Genebra.
“O desastre de Chernobyl, em 1986, serviu como exemplo máximo sobre porque é vital garantir que todas as usinas nucleares tenham os mais altos padrões de segurança”, disse.
Rússia alega “histeria artificial”
O embaixador russo Vassily Nebenzia classificou as notícias sobre os ataques à usina nuclear como “histeria artificial”. O diplomata disse que são mentirosas as informações sobre o avanço militar sobre a usina, ainda que imagens mostrem disparos e um incêndio tenha atingido um prédio vizinho à instalação atômica.
Ele afirmou que a planta nuclear está sob domínio dos russos desde o dia 28 de fevereiro e voltou a defender a versão russa de que os ataques foram promovidos por forças ucranianas ou por outros grupos tentando obter vantagem com o conflito. Nebenzia disse que tropas russas patrulhavam a área quando foram atacados por “sabotadores ucranianos”.
Ainda de acordo com o diplomata russo, o restante do mundo está em campanha contra o governo de Vladimir Putin. “Uma massiva campanha de informações anti-Rússia está se desenrolando”, afirmou.
Para Nebenzia, o maior risco para os civis ucranianos não é o exército russo, mas os “sabotadores ucranianos”, que teriam recebido carta branca para atuar, devido às supostas mentiras contadas pelo Ocidente.
EUA defendem união contra a Rússia
A embaixadora Linda Thomas-Greenfield, que representa os Estados Unidos na ONU defendeu que todos os países se unam para pedir o fim das hostilidades da Rússia na Ucrânia. A diplomata também criticou os ataques nas proximidades da usina nuclear.
Thomas-Greenfield classificou o ataque como “incrivelmente imprudente e perigoso” e disse que colocou em risco a segurança de civis na Rússia, Ucrânia e em toda a Europa.
Além de pedir cessar-fogo imediato, a diplomata americana solicitou que o exército russo baixe as armas para garantir o acesso de tratamento médico aos feridos e garantir que os operadores da usina possam entrar na usina para garantir a segurança do local.

