A segurança das instalações da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, segue sob dúvidas na comunidade internacional. Na terça-feira, 8, o governo ucraniano pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tentasse intervir, para garantir as condições de trabalho dos funcionários no local. Volodymyr Zelensky diz que os técnicos estão trabalhando sob regime de tortura. O governo da Rússia nega.

A usina de Chernobyl foi palco do pior acidente nuclear já registrado na história, em 1986. O local foi isolado desde então e apenas pessoas autorizadas podem ter acesso ao complexo, que ainda guarda os restos de lixo nuclear do reator que ali funcionava. A área foi tomada pelo exército russo ainda nos primeiros dias da invasão à Ucrânia. Atualmente, 210 pessoas são responsáveis por manter a segurança do local.

Segundo a AIEA, que é ligada à ONU, a Ucrânia alega que os trabalhadores da usina estão sendo obrigados a viver dentro do complexo desde que a guerra começou. O governo diz que o local possuía água, comida e remédios para eventuais emergências, mas afirma que os estoques devem estar no fim.

O governo de Zelensky também afirma que são incertos as condições e os turnos de trabalho imprimidos pelas forças russas aos trabalhadores da usina. A agência reguladora ucraniana afirma que só consegue manter contato com os funcionários por e-mail e não tem ideia da real situação no local.

Nesta quarta-feira, 9, a agência estatal de notícias da Rússia, Tass, informou que as instalações de Chernobyl são gerenciadas por técnicos russos e ucranianos, desde que o local foi tomado pelo exército.

A porta-voz de Putin, Maria Zakharova, defendeu a tomada da usina pelo exército russo. Afirmou que nacionalistas ucranianos poderiam usar a estrutura para promover ataques contra civis na região.

No comunicado emitido na terça-feira, o diretor-geral da AIEA se comprometeu a visitar as instalações de Chernobyl, para verificar a situação, mas a viagem ao local ainda não aconteceu. Sem a visita, as únicas informações que existem são as dos governos da Rússia e da Ucrânia, sem confirmação externa.

A AIEA também confirmou que a usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa, está sob controle do exército russo. O local foi tomado após intensos bombardeios na última semana. Um prédio que servia como área de treinamento de funcionários acabou incendiado.

O incidente provocou uma onda de críticas à Rússia. Putin nega que o bombardeio tenha sido feito pelas tropas que comanda e coloca a culpa em “sabotadores ucranianos”.

Ainda conforme a AIEA, todos os 15 reatores nucleares existentes na Ucrânia estão em funcionamento e os níveis de radiação emitidos estão dentro do normal.