Ao anunciar que não será candidato a presidente da República, Rodrigo Pacheco troca uma fantasia (o Planalto) por um plano (a reeleição ao comando do Senado).

A fantasia incluía alusões um tanto constrangedoras a Juscelino e falas conciliatórias que nada diziam sobre o futuro do Brasil. Quem sonhou junto estava noutro país – ou noutro tempo.

O plano o devolve à realidade. E a realidade política de sua tentativa de se reeleger à Presidência do Senado choca-se com seu PSD e a campanha presidencial.

Lula conta com Renan Calheiros e seu grupo no MDB para se eleger. A paga do apoio virá, em parte, do cargo que Pacheco hoje ocupa. Se não jogar com Lula e o petista vencer, Pacheco terá um obstáculo imenso para conquistar seu segundo mandato.

Bolsonaro está com o centrão – e o centrão também quer o comando do Senado. Se Bolsonaro for reeleito, e reeleito apesar do PSD, Pacheco enfrentará, enfraquecido, uma coalizão de gente grande, que partirá para cima dele sem respeitar a Convenção de Genebra.

No meio do caminho, há uma possível candidatura presidencial de Eduardo Leite pelo PSD. Se o governador gaúcho abandonar o PSDB após ter perdido para Doria nas prévias, demonstrará, perante seus pares, deslealdade. Na política, palavra não é bobagem.

Leite exibirá, ainda, fé em duas coisas duvidosas: seu potencial eleitoral a presidente já em 2022, o que (quase) ninguém enxerga em Brasília, e a solidez do compromisso de Kassab com ele, o que requer credulidade incompatível com quem se julga pronto para subir ao Planalto. O dono do PSD quer Lula na Presidência, a não ser que Leite se comprove um fenômeno, sabe-se lá como e por quê.

Quaisquer que sejam os movimentos de Kassab e do PSD, eles afetarão os planos de Pacheco – e a ocupação do único cargo grande em Brasília ainda não conquistado pelo centrão.