Anderson Torres e Ciro Nogueira andam se estranhando no Planalto por causa da Polícia Federal. Fontes da instituição ouvidas pelo Bastidor afirmam que as interferências do Centrão e as reclamações do Ministro da Justiça têm minado a relação.

Apesar de a animosidade estar mais nítida agora, ela não é nova. Vem desde que Torres assumiu o Ministério da Justiça e não conseguiu colocar um dos seus na Diretoria-Geral da PF. Logo após assumir o posto, no fim de março do ano passado, o ministro trocou Rolando Alexandre, então diretor-geral, por Paulo Maiurino.

Maiurino tornou-se diretor-geral da PF graças as suas ramificações em Brasília – que vão desde governos estaduais, passam pelo Congresso e chegam até o STJ e o STF. Ele próprio colocou a “culpa” de sua demissão nas boas relações que cultiva.

Desde a posse (em cerimônia reservada) era possível perceber que Maiurino não pertencia ao grupo de Torres; tanto que foi demitido por telefone e substituído por Márcio Nunes de Oliveira – esse, sim, próximo ao ministro da Justiça.

Mas não foi essa demora de quase um ano para fazer as substituições desejadas o único fator a desgastar a relação entre Torres e Ciro. Em abril de 2021, logo após a nomeação do atual ministro da Justiça, também foi substituído o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. Saiu Eduardo Aggio e entrou o inspetor Silvinei Vasques.

Aggio foi contratado como subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil – a pedido de Ciro Nogueira – no dia seguinte a sua exoneração do comando da PRF. A chegada do presidente do PP ao comando da pasta fez com que o delegado federal passasse a ser visto como um emissário do político dentro da instituição policial.

De fato, Aggio vestiu a camisa do governo. Suas redes sociais, voltadas à PRF antes da mudança de carga, passaram a ostentar fotos com Jair Bolsonaro (veja aqui, aqui e aqui) e Eduardo Bolsonaro, por exemplo.

Essa sequência de conflitos (mais as recentes mudanças na PF) colocam Torres na berlinda, de acordo com fontes da instituição. O ministro da Justiça desistiu de disputar as eleições deste ano, mas já ouve que deve repensar e assim ter uma desculpa para deixar o cargo caso a pressão fique insustentável.

Não é novidade que o Centrão tomou a PF de assalto desde que fisgou Jair Bolsonaro. Para ficar em alguns exemplos: foram substituídos ao menos 20 delegados em situações (no mínimo) estranhas desde o início da gestão do capitão reformado e houve desestímulo a operações de combate à corrupção.