Se o exame fosse meramente técnico, o processo no TCU que analisa a venda da Eletrobras poderia terminar hoje – ou já teria se encerrado há meses. Aliado de Lula e Renan Calheiros, o ministro Vital do Rêgo, porém, já adiantou que pedirá vista mais uma vez. Se adiar seu voto por dois meses, como pretende, provavelmente inviabilizará a privatização da Eletrobras neste ano. É o que desejam ele e o ministro Bruno Dantas, seu aliado no TCU.
Ambos integram o mesmo grupo político: o MDB do Senado, hoje sócio do PT. Compartilham métodos, não apenas ideologia. A primeira vez em que os dois atuaram para pedir vista do processo rendeu benesses junto ao governo que dizem detestar. Extraíram do Planalto a promessa de nomeações estratégicas no Cade e no Judiciário.
Deu certo. Após ameaçar travar a venda da Eletrobras, Dantas conseguiu do governo o compromisso de que a indicação de Alexandre Barreto para o Cade seria aprovada no Senado. O nome estava parado há meses. Havia enorme resistência entre os senadores. Mas o Planalto, com o aval do ministro Jorge Oliveira (hoje próximo a Dantas), agiu e cumpriu o combinado. Articulou com sucesso a aprovacão de Barreto, confirmada há duas semanas. O novo superintendente do órgão concorrencial foi chefe de gabinete do ministro do TCU antes de fazer sua primeira passagem (como conselheiro) na entidade que fiscaliza as disputas no mercado.
A tática usada por Dantas foi a mesma que funcionou com o ministro Vital do Rêgo. Como o Bastidor revelou, Vital (com ajuda de Dantas), pediu vista do processo que analisa a privatização da Eletrobras. Devolveu os autos ao plenário depois de receber do governo a garantia de que emplacaria um aliado na Justiça Eleitoral da Paraíba. O Planalto cumpriu sua parte do acordo e nomeou o desembargador. Vital levou seu voto aos colegas. Perdeu por seis a um.
Hoje, a história se repete. E o grupo tenta se aproximar e obter o apoio de Antônio Anastasia, justamente o ministro que enfrentou a candidata do grupo no Senado, Katia Abreu.

