Humberto Martins aumentou a pressão para que seus aliados políticos incentivem o Senado a votar a PEC que aumenta para 70 anos a idade máxima de ingresso no STF. Hoje, só podem ser nomeadas pessoas de até 65 anos – o presidente do STJ completou essa idade em outubro.

A demora na análise, segundo disse Martins em conversas reservadas, é culpa de Davi Alcolumbre. O senador está, de acordo com Martins, segurando a escolha do relator da proposta na CCJ.

O Bastidormostrou que Martins tem apoio no Senado. Uniu até os inimigos políticos Arthur Lira, Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro – que vem, de brinde, com o apoio de Frederick Wassef. No entanto, Martins sofre resistências entre os evangélicos – Silas Malafaia já o chamou de evangélico herege para queimá-lo no STF.

Outro problema com a eventual aprovação da mudança seria o retorno José Otávio de Noronha à disputa. O também ministro do STJ completou 65 anos em agosto de 2021 e é próximo da família presidencial, principalmente depois de suas decisões contra a investigação sobre as rachadinhas de Flávio Bolsonaro.

Não é de hoje que Noronha sonha com o STF, mas deixou esse projeto de lado para aprovar a criação do TRF-6 no Congresso (o que conseguiu). Uma nova oportunidade, sem nenhum outro projeto para consumir seu capital político, o coloca como uma opção que nunca pode ser descartada.

É bem verdade que, numa primeira análise, seria possível encaixar ambos nas vagas que serão deixadas por Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Mas um dos mais cotados para ocupar uma cadeira no STF é Augusto Aras. Se reeleito, Jair Bolsonaro se comprometeu a indicá-lo a uma das duas vagas.