Volodymyr Zelensky colocou em dúvida a “honestidade” da Otan no trato com a Ucrânia. O presidente ucraniano enviou mensagem no Telegram para os seguidores, em que coloca em dúvida uma eventual entrada do país na aliança militar.

Nos últimos dias, o governo ucraniano já admitia a possibilidade de desistir do interesse em participar da Otan, maior organização militar internacional. A vontade do governo de Zelensky em acessar o grupo foi uma das justificativas de Vladimir Putin para invadir o país.

“Cada míssil russo que atinge nosso país é uma resposta a uma pergunta de longa data sobre a Otan. Se as portas da Aliança estão realmente abertas para a Ucrânia. Se estivessem abertas, se fossem honestos, não teríamos de convencer a Aliança de que os céus sobre a Ucrânia deveriam ser fechados. Perto da morte da Força Aérea Russa”, afirmou Zelensky.

A mensagem foi acompanhada de fotos mostrando a destruição provocada pelo exército da Rússia em áreas civis da Ucrânia. O texto é mais um indicativo de que Zelensky começa a ficar disposto a ceder à parte das demandas russas para o fim do conflito.

Entre os pedidos da Rússia está a desmilitarização da Ucrânia e a adoção de uma política de neutralidade. Se isso for adotado, o país não poderá mais se envolver diretamente em disputas envolvendo outras nações. Sem exército, também ficará à mercê de outros ataques.

Hoje, a Ucrânia possui um dos maiores efetivos militares da Europa. Ainda que seja bem menor que o poderio militar da Rússia, o exército local tem condições de manter a luta por bastante tempo. Esperava-se, por exemplo, que Putin tomaria a capital Kiev em apenas 48 horas, mas já se passaram 21 dias.

“Boa sorte, fera!”

Mais cedo, o presidente ucraniano fez um discurso por videoconferência no Congresso dos Estados Unidos. Ele citou os ataques a Pearl Harbour, durante a Segunda Guerra Mundial, para reforçar o pedido de ajuda militar do Ocidente. Foi aplaudido de pé pelo parlamento americano.

Desde o início da guerra, Zelensky implora para que o Ocidente – em especial os países da Otan – enviem tropas para conter o avanço russo. Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e vários outros países enviaram equipamentos militares ao país, mas nenhum soldado entrou no território ucraniano.

Somam-se a esses auxílios as sanções econômicas impostas contra a Rússia, que incluíram diretamente oligarcas e políticos que apoiam e participam do regime de Vladimir Putin. A Rússia tenta responder a essas medidas e chegou a proibir, por exemplo, a entrada do presidente norte-americano, Joe Biden, no território do país.