O russo Pavel Durov, criador da plataforma Telegram, pediu desculpas ao Supremo Tribunal Federal, na noite desta sexta-feira, 18. O empresário respondeu à decisão de Alexandre de Moraes, que determinou o bloqueio da plataforma no Brasil. O ministro se irritou por causa do insucesso em contatar a plataforma para pedir a remoção de canais e conteúdos ilegais.
“Em nome do nosso time, eu peço desculpas para a Suprema Corte brasileira pela nossa negligência. Nós definitivamente poderíamos ter feito um trabalho melhor”, afirmou.
O Telegram é conhecido por abrigar milhares de canais de conteúdo criminoso, como venda de drogas, distribuição de pornografia infantil, disseminação de fake news, entre outros. Essas mesmas reclamações existem em outras redes, como o Facebook, WhatsApp e Instagram, por exemplo.
Entretanto, a plataforma também serve para que pessoas possam divulgar dados e informações verdadeiras, sob menor risco de censura, graças aos servidores descentralizados e à arquitetura digital montada por Durov. Para o bem e para o mal, o Telegram tem maior tolerância a qualquer tipo de conteúdo. A guerra na Ucrânia é um exemplo.
No Brasil, o bloqueio foi determinado por Moraes porque o STF não conseguiu notificar a plataforma sobre a determinação de bloqueio de contas atribuídas ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. Ele é investigado por disseminar notícias falsas e integrar o chamado “gabinete do ódio”, que usaria ferramentas digitais e robôs para espalhar notícias contrárias a opositores de Jair Bolsonaro.
Moraes se irritou e lembrou o histórico de negligência da plataforma. Recentemente, o TSE firmou acordos com várias redes sociais para que apaguem conteúdos tido como falsos. O Telegram ficou de fora, porque a Corte Eleitoral também não conseguiu contato com os responsáveis pelo aplicativo.
Durov disse que os pedidos estavam sendo encaminhados a um e-mail de suporte antigo, ao qual os funcionários já não têm mais acesso – algo difícil de acreditar. O empresário pediu ao STF para atrasar o bloqueio determinado ao Telegram por alguns dias. Ele afirmou que vai instituir um grupo de representantes da empresa no Brasil, para poder responder às demandas judiciais que sejam impostas à plataforma.

