O TCU vai sediar nesta quarta-feira (23) um evento sobre boas práticas fiscais ao redor do mundo em parceria com a Fiesp – a mesma que influenciou Vital do Rêgo a tentar melar, entre outros interesses, a privatização da Eletrobras. Só que a corte de contas, antes de discutir o assunto, deveria dar o exemplo.

O Tribunal de Contas da União é conhecido por ser benevolente com seus integrantes. Abundam relatos sobre pagamentos de viagens, cursos e outros mimos que são exceção no setor privado. Só na pandemia, iniciada em 2020, o TCU gastou 193 mil reais com diárias e passagens para ministros viajarem ao menos a cinco países.

Neste ano, Walton Alencar, Vital do Rêgo e Bruno Dantas receberam cerca de 45 mil reais cada um por pouco mais de 10 diárias utilizadas durante viagem em fevereiro com uma comitiva do Ministério das Comunicações a Estocolmo, Helsinque, Seul e Tóquio. O passeio serviu para que os magistrados pudessem saber mais sobre o 5G.

Mas há outras viagens custeadas com dinheiro público a Lisboa, Dubai, Paris e Nova York. E esses gastos não estão restritos aos ministros da corte de contas, abarcam também integrantes do Ministério Público junto ao TCU. O Bastidor já mostrou que o tribunal gastou R$ 54 mil em viagens de “pós-doutorado” de Lucas Furtado.

Esse tipo de gasto não é novidade. Levantamento de 2017 mostrou que os ministros do TCU passaram um terço daquele ano viajando às custas do contribuinte. O gasto com diárias e passagens aéreas no período chegou a R$ 500 mil.