O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou o ex-procurador Deltan Dallagnol a indenizar o ex-presidente Lula por danos morais. Por quatro votos a um, a 4ª Turma da Corte entendeu que houve abuso e espetacularização por parte do então chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, ao divulgar uma apresentação em que colocava o petista como chefe da organização criminosa que desviou dinheiro da Petrobras.

Os ministros julgaram um recurso movido pela defesa de Lula, que tinha perdido o processo em instâncias anteriores. Pela decisão, Deltan deverá pagar R$ 75 mil ao ex-presidente. O valor, no entanto, terá que ser corrigido desde a data dos fatos. A defesa de Lula acredita que a indenização pode passar de R$ 100 mil. O ex-procurador ainda poderá recorrer dentro do próprio STJ.

O processo foi motivado pela entrevista coletiva promovida pelo Ministério Público Federal, em setembro de 2016. Na ocasião, os procuradores apresentavam à imprensa os indícios que os levaram a abrir um processo contra Lula, no caso envolvendo um tríplex em Guarujá, no litoral paulista.

O episódio do PowerPoint foi um dos mais expressivos contra o ex-presidente, que seria preso e condenado na Operação Lava Jato.

No entanto, os processos movidos pela força-tarefa de Curitiba ou derivados daquelas investigações foram todos anulados. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal entendeu que as ações foram motivadas por interesses políticos do MPF e do ex-juiz federal Sergio Moro, que julgou os casos em primeira instância.

No Twitter, Lula zombou o episódio.

No YouTube, Dallagnol, que deixou o MPF para ingressar na política, publicou um vídeo curto em que afirma estar indignado com a decisão. “É isso que acontece quando você dá a cara a tapa e luta contra a corrupção no Brasil. O Lula está saindo impune e nós é que pagamos o preço da corrupção”, afirmou o ex-procurador.