O governador João Doria é só mágoa. Antes de comunicar seu vice, Rodrigo Garcia, na noite de ontem (quarta-feira) de sua permanência no cargo, ele desabafou com poucos aliados sobre como integrantes do PSDB jogavam sujo. Publicamente, Doria chamou de golpe.

A um de seus interlocutores, o governador disse que não precisava se submeter às conspirações políticas do partido e que seu principal algoz era Aécio Neves, que, segundo sua avaliação, manchava a história da legenda. “Vendeta”, reclamou. Doria tentou expulsar o deputado mineiro da sigla em 2018.

O governador reclamou também de Tasso Jereissati, de Eduardo Leite e até de Geraldo Alckmin, que migrou para o PSB por divergências justamente com Doria. O governador se sente traído.

Numa das conversas, Doria afirmou que sua desistência da campanha presidencial não significaria uma perda apenas para ele. Diante do movimento iniciado ontem à noite, seus aliados interpretam que tirar o PSDB do governo de São Paulo depois de duas décadas de hegemonia seria a forma dele se vingar.

Nesta manhã, Bruno Araújo, presidente do PSDB, tenta convencê-lo a renunciar o cargo de governador, abrindo caminho para Rodrigo Garcia, conforme acordo de 2018. Garcia insiste que ele é o candidato a presidente pela legenda.

A avaliação é que, fora do cargo, ficaria muito difícil para Garcia ir para segundo turno e mesmo viabilizar sua candidatura com partidos aliados.