A repressão às mulheres promovida pelo Talibã desde que retornou ao poder no Afeganistão é extremamente grave, mas não é o único dilema humanitário que vive o país. Segundo a ONU, 95% da população afegã não tem o que comer. Por esse motivo, as Nações Unidas lançaram uma campanha para arrecadar ao menos US$ 4,4 bilhões, para garantir o mínimo de ajuda aos cidadãos.
Homens, mulheres e crianças têm sofrido com a falta de alimentos. O problema já era percebido em junho de 2021, quando os pedidos de ajuda triplicaram. No último ano, os Estados Unidos retiraram as tropas que tentavam manter o mínimo de estabilidade política na região. Os americanos não realizaram nenhum plano de contenção, nem reparação, deixando caminho aberto aos extremistas do Talibã.
O pedido de financiamento para um único país é o maior já feito pela ONU. Segundo a entidade, a economia do Afeganistão entrou em colapso, com risco de 97% da população passar a viver abaixo da linha da pobreza até o meio deste ano. A crise humanitária também pode levar à morte de até 1 milhão de crianças.
Até o momento, a ONU afirma que conseguiu angariar 13% do valor solicitado e faz um apelo para que a comunidade internacional ajude a completar o montante, que poderia beneficiar até 22 milhões de pessoas.
Em discurso, o secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, afirmou que a situação de pobreza no país é gravíssima. “Pessoas estão começando a vender os próprios filhos e partes dos corpos para alimentar as famílias”, disse.
Ele também pediu que os países avaliem a retirada de sanções bancárias que bloquearam ao menos US$ 9 bilhões do governo do Afeganistão. Enquanto o dinheiro fica parado, milhares de pessoas acabam morrendo, sem
Educação para meninas
A ONU fez um apelo ao Talibã, para que permita o acesso de meninas às escolas. Os extremistas proibiram que mulheres frequentem aulas além da 6ª série do ensino fundamental. Com o avanço da pobreza extrema, isso tende a piorar ainda mais os riscos de abusos e exploração aos quais elas ficam expostas.

