Duas das principais figuras da disputa eleitoral à Presidência da República, no campo da centro-direita, sacudiram a política brasileira hoje (quinta). Doria pode desistir da candidatura, ou ser forçado a isso pelas circunstâncias desfavoráveis que ajudou a criar no PSDB. Moro praticamente definiu o fim do sonho presidencial ao sair do Podemos para se filiar ao União Brasil.
O Bastidor preparou um resumo com o histórico da situação de ambos e o que se sabe até o momento sobre as possíveis desistências de Doria e Moro.
João Doria (PSDB)
- Doria foi alçado a candidato do PSDB depois de vencer conturbadas prévias realizadas pelo partido. A disputa entre ele e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi marcada por problemas em urnas eletrônicas, acusações de sabotagem e várias outras baixarias.
- Apesar da vitória, Doria não conseguiu decolar nas pesquisas, oscilando sempre abaixo de Sergio Moro e Ciro Gomes.
- A baixa performance eleitoral aumentou a pressão no partido para que ele desistisse da candidatura nacional. Aécio Neves é o principal líder de uma oposição ferrenha a Doria. Os dois já trocaram acusações no passado.
- O conflito entre os tucanos explodiu de vez ontem (quarta), durante uma reunião de Doria com aliados próximos no governo paulista. Ele teria dito que desistiria da candidatura por se sentir traído pelo PSDB.
- Além disso, Doria teria dito que também permaneceria no posto de governador até o fim do atual mandato. A medida atrapalharia a candidatura do vice, Rodrigo Garcia, que pretende manter o reinado tucano em São Paulo, que já dura 20 anos. A tarefa é difícil, já que o petista Fernando Haddad tem liderado as pesquisas com certa folga e Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro, promete ser um candidato forte.
- No fim da manhã, com os ânimos mais calmos, Doria reconsiderou a possibilidade de deixar o mandato em favor de Garcia. Com a máquina do estado ao lado dele, o vice acredita que terá maiores chances de reverter a tendência das pesquisas.
- Bem longe de São Paulo, o governador do Rio Grande do Sul se prepara para deixar o mandato. Ele declinou convite do PSD e permanecerá no PSDB. Espera que Doria não seja candidato e aposta que conseguirá se viabilizar como opção do partido.
Sergio Moro (Podemos)
- O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro foi chamado para o cargo para ser um dos homens fortes do governo, mas saiu depois de acusar o presidente de tentar interferir na Polícia Federal em benefício próprio.
- Depois de quase um ano, o ex-juiz, responsável pela prisão do ex-presidente Lula, decidiu que entraria na vida política. Escolheu o Podemos, de Alvaro Dias, para se lançar candidato a presidente.
- Apesar de um início promissor, o nome dele não deslanchou nas pesquisas – ao contrário, perdeu votos com o tempo. Pesa contra o ex-juiz e ex-ministro a decisão do STF que reconheceu parcialidade na atuação de Moro nos processos da Lava Jato envolvendo Lula. O ex-presidente foi solto e vários outros condenados nas ações estão conseguindo reverter os julgamentos dele.
- Outra semelhança entre Doria e Moro era a falta de apoio dentro do partido. Parte dos integrantes do Podemos era contra os gastos de uma campanha presidencial que não decolava.
- Na segunda, Moro se reuniu com o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, e discutiu a possibilidade de migração de legenda. Foi oferecido ao ex-ministro a possibilidade de concorrer a um cargo no Senado ou na Câmara, com possibilidades maiores de sucesso.
- A nova filiação de Sergio Moro foi anunciada pelo vice-presidente do União Brasil, Junior Bozella. Ele não deixou claro se o ex-ministro manterá a candidatura à Presidência ou não. É mais provável que ele concorra à Câmara dos Deputados.
- O ex-ministro também enfrentará dificuldades no União Brasil. O partido já havia definido que lançaria o jornalista José Luiz Datena como candidato ao Senado. Bozella diz que não foram feitas promessas para Moro, que mudará o domicílio eleitoral para São Paulo.
- Já no Podemos, o clima é de descontentamento. Líderes reclamam do tempo perdido, que gerou desfiliações e gastos em uma candidatura que acabou.

