A ala de oposição a João Doria dentro do PSDB não se sente derrotada com a deferência do presidente do partido, Bruno Araújo, nem com as declarações óbvias de Eduardo Leite e de Arthur Virgílio sobre a legitimidade do governador de São Paulo pleitear a disputa presidencial, sendo ele o vencedor das prévias tucanas no ano passado.

A avaliação de integrantes do grupo, liderado pelo deputado Aécio Neves e o senador Tasso Jereissati, é que Doria tentou colocar o partido contra a parede, ao ameaçar tirar da legenda, por ato de sabotagem, como classificaram, o governo de São Paulo onde o PSDB está há duas décadas.

A direção tucana sabe, por pesquisas internas, que para Rodrigo Garcia seria impossível competir com Fernando Haddad e Tarcísio Freitas tendo Doria à frente do governo de São Paulo, como ele ameaçou.

O próprio vice-governador afirmou que não concorreria às eleições deste ano. Garcia chegou a falar em abandonar a vida pública numa de suas conversas ao longo do dia.

Para um grupo grande do PSDB (majoritário no Nordeste, no Rio Grande do Sul e em grandes colégios eleitorais, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais), a ação de Doria foi midiática e não lhe renderá apoio ou simpatia de possíveis eleitores.

Neste momento, além da alta rejeição e da baixa intenção de voto (2% na última pesquisa Datafolha), pesa contra Doria a sua chantagem – que é como foi lida a sua ameaça de ficar no cargo.

Agora, o grupo que trabalha contra Doria vai intensificar seus esforços para inviabilizar a pré-candidatura do agora ex-governador de São Paulo e isolá-lo no partido.