Sergio Moro se mostra cada vez mais um político inábil. Abandonou o Podemos pelo União Brasil sem negociar o cargo ao qual concorrerá e sem ter apoio da maioria do partido que surgiu da fusão entre DEM e PSL para disputar a presidência. Pegou mal, agora tenta remediar.
Fez há pouco um discurso à imprensa, mas não abriu espaço para perguntas.
Tentou transformar erro em acerto ao dizer que a traição ao Podemos foi o “gesto” de uma “liderança” em prol de uma candidatura de centro unificada – só se esqueceu de dizer que seu partido nasceu da fusão do filho da Arena e da sigla que levou Jair Bolsonaro ao Planalto para atazanar a democracia.
Moro procurou minimizar seu movimento confuso afirmando que não vai colocar seus “interesses pessoais à frente do país”. Mas até agora não justificou a troca de partido. Aproveitou para convocar João Doria, Eduardo Leite, Simone Tebet, Luiz Felipe d’Avila, André Janones e outras lideranças a adotarem a mesma postura.
O ex-ministro de Jair Bolsonaro apelou ainda para a carta do medo, mostrando-se uma saída (junto com a terceira via) para fugir de Lula e Bolsonaro; polarização que classificou de “abismo do extremo e do ódio”. E o que dizer de Luciano Bivar, apoiador do capitão reformado em 2018?
A resposta está na sedução do atual presidente do União Brasil, que trouxe Moro prometendo tudo sem avisar ACM Neto de sua estratégia. Criou confusão no partido: o baiano tolera o ex-juiz apenas como puxador de votos para deputado federal.
Finalizou dizendo “jamais desistirei”. Mas como acreditar se disse no passado que não entraria na política e jurou fidelidade ao Podemos, onde hoje é chamado de traidor?

