Petistas ouvidos por Bastidor disseram que o clima no partido é de absoluta irritação com o ex-presidente depois de suas falas sobre elite escravagista, aborto e a classe média perdulária.

Um petista comparou às falas de Lula a excremento puro e concentrado, porque vem no momento mais delicado da pré-campanha: quando o Presidente Jair Bolsonaro, seu principal adversário, diminui a diferença e numa fase crucial, ainda com risco de desandar, de sua aliança com Geraldo Alckmin.

Para petistas, as falas do ex-presidente evidenciam seu “salto alto”. Disse um deles: “Lula age como se estivesse eleito. Ou pior, como se já fosse presidente com 80% de aprovação e sabedor de que no dia seguinte ainda estará na Presidência”.

Além da aliança com Alckmin, que, embora dada como certa, ainda corre seus riscos, o PT tenta se reaproximar do segmento evangélico, que é majoritariamente contra o aborto.

No PT, a interpretação é que Lula fala para convertidos e traz uma discussão absolutamente fora da pauta do partido. Desta vez, disse uma das fontes petistas, ao contrário do que ocorreu com o tema regulação da mídia, levado por Franklin Martins ao ex-presidente, ele tirou as declarações da própria cabeça e sem discutir com sua campanha.

Lula, disse outro petista, está se achando irretocável e irrepreensível.

Nesta quinta-feira, integrantes do partido que atuam na pré-campanha do ex-presidente passaram a cobrar mais poder para vetar temas e cobrar reparo em falas infelizes.