As associações que representam os delegados (ADPF) e os peritos criminais (APCF) da Polícia Federal se irritaram com Jair Bolsonaro. Elas temem que o presidente deixe de cumprir compromissos firmados com os policiais, de reestruturar as carreiras da instituição até o fim do atual mandato.

O reajuste de 5% anunciado para todos os servidores federais a partir de junho é o principal motivo da desconfiança dos policiais. Neste ano, o Orçamento prevê R$ 1, bilhão para aumentos salariais, mas a proposta sugerida por Bolsonaro pode custar até R$ 6 bilhões. Com isso, será preciso retirar investimentos de outras áreas para suprir o gasto a mais.

“A APCF manifesta preocupação com a possibilidade aventada de que o governo descumpra seus compromissos assumidos com as carreiras policiais, em especial quanto à reestruturação prometida publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o presidente da APCF, Marcos Camargo.

A ADPF, que tem perfil mais próximo ao governo, diz que não se opõe ao reajuste prometido por Bolsonaro, mas criticou a postura de Bolsonaro. “Se a informação se confirmar, haverá uma quebra desleal do compromisso que será sentida ainda mais depois das diversas perdas sofridas pelos policiais federais durante este governo, que sempre teve entre suas bandeiras a segurança pública”, diz nota da entidade.

Outras categorias do serviço público federal já entraram em greve, em busca de reajustes. Funcionários do Banco Central estão parados desde o dia 1º de abril. Analistas e técnicos das carreiras de Planejamento e Orçamento também se manifestaram. Servidores da CVM suspenderam as atividades no dia 12. Ainda há paralisações no Tesouro Nacional e na CGU.