Magistrados ainda estão descrentes com a possibilidade de conseguirem a recomposição salarial pela qual lutam mais enfaticamente desde o fim do ano passado. Tudo começou com Jair Bolsonaro prometendo reajustes apenas para policiais federais, rodoviários federais e penais. Isso motivou um movimento grevista (nunca realmente levado a cabo) em órgãos como Receita Federal e Banco Central.

Esse levante chamou a atenção de Bolsonaro, que recuou; primeiro no discurso, colocando o aumento dos policiais em xeque, depois na prática. O resultado foi uma compensação de 5% para todas as carreiras do Executivo, o que enfureceu policiais. Mas o reajuste logo foi visto, principalmente por juízes, como um possível renascimento da pauta classista já esquecida.

Luiz Fux, presidente do STF, poderá levar ao Congresso um projeto de lei com a recomposição salarial de juízes, desembargadores e ministros de cortes superiores. Só que entidades de classe da magistratura só farão lobby junto aos parlamentares depois que o texto for entregue por Fux a Arthur Lira. A espera não é motivada apenas pela liturgia. Há uma parcela de desconfiança nisso tudo.

As movimentações dependem do STF, especialmente de Fux. Sem isso, dizem fontes que participam das articulações, qualquer ação será inócua. Tanto que quase nenhuma entidade da magistratura se manifestou sobre essa possibilidade até agora. Somente a Andes, que representa desembargadores estaduais, emitiu nota na semana passada chamando para si a titularidade da vitória. Disse ter sido a associação que iniciou a luta, mas que conta com a força de todas para alcançar o objetivo.