A cúpula do grupo Meta – dono do Facebook, do Instagram e do WhatsApp – quer evitar a todo custo problemas com as autoridades brasileiras nas eleições deste ano. A ordem secundada por Mark Zuckerberg é tratar o presidente Jair Bolsonaro com educação – e educamente ignorá-lo.
Ontem (sábado), Bolsonaro reclamou do acordo do WhatsApp com o TSE. Graças a ele, o WhatsApp adiará até do fim das eleições o lançamento, no Brasil, da função “comunidades”. O presidente diz querer conversar com o WhatsApp e mudar a posição da empresa. Pretende pressionar a Meta, como se estivesse em posição de barganhar com o grupo.
Ao que tudo indica, a novidade do WhatsApp parece ser uma cópia dos canais do Telegram. As “comunidades” serão grupos com milhares de pessoas. (Hoje, grupos no WhatsApp podem ter até 256 pessoas.)
Grupos gigantes de WhatsApp seriam, a princípio, um instrumento poderoso de marketing, seja comercial, seja político. Por extensão, seria um instrumento possível de desinformação. Embora o WhatsApp assegure que conseguirá evitar problemas inerentes às características de uma inovação como essa, não explicou como fará algo que parece altamente improvável – moderar conteúdo trocado, e em português, não em inglês, entre milhares de pessoas.
O WhatsApp está sob pressão para rentabilizar sua plataforma – algo que a direção da empresa não conseguiu, apesar da escala alcançada pelo produto. Não é fácil colocar anúncios em conversas privadas. No Brasil, o PIX matou qualquer chance de sucesso do WhatsApp Pay.
Gente importante na Meta acha difícil que as inovações anunciadas pelo WhatsApp deem certo. Esperam retaliação regulatória e judicial em países da Europa. Não há metaverso em que uma lambança nas eleições presidenciais do Brasil seja do interesse da empresa.

