O voto de Aroldo Cedraz há pouco no julgamento da privatização da Eletrobras preocupou integrantes da gestão Jair Bolsonaro que participam das negociações. Fontes do governo próximas ao desenrolar da operação afirmaram ao Bastidor que a volta do argumento sobre a ‘subprecificação’ das ações foi considerada um veneno para o mercado. O relator do caso afirmou que o modelo proposto pelo BNDES deve conter “parâmetros mais adequados” para estimar o valor da companhia.

O perigo trazido com essa possível mudança é a demora para realizar a operação. Será preciso fazer nova assembleia do conselho da estatal para discutir eventuais alterações no planejamento. “Não inviabiliza formalmente, mas esses termos destroem a venda na prática”, disse uma das fontes.

Essa questão foi suscitada por Vital do Rêgo no julgamento da primeira parte da privatização. Ele afirmou que a Eletrobras estaria subavaliada em 63 bilhões de reais, valendo 130 bilhões ao todo. Hoje, depois de criticar a demora de Cedraz para liberar o voto (destacou que o material foi disponibilizado faltando poucos minutos para o meio-dia), Vital do Rêgo pediu vista de 20 dias – o plenário do TCU ainda precisa anuir para que a suspensão valha no período sugerido.

Mas nem tudo foi reclamação. O recuo de Cedraz quanto à “pílula de veneno” proposta pelo BNDES foi um alívio. O relator via a possibilidade como um meio de evitar uma futura reestatização da estatal, mas foi convencido do contrário por Jorge Oliveira – ministro indicado por Jair Bolsonaro para o TCU.