Mesmo sob pressão do Supremo, a Procuradoria-Geral da República insiste em nem tentar apurar as suspeitas descritas pela CPI da Pandemia contra Jair Bolsonaro e seus ministros. O relatório final foi aprovado há seis meses e, em seguida, enviado à PGR. Caiu numa gaveta especial.

Na semana passada, numa das ações que tramitam no tribunal, o ministro Luís Roberto Barroso autorizou a PGR a pedir ajuda da Polícia Federal para analisar o material colhido pelos senadores. Augusto Aras argumentou que sua equipe não vislumbrou condutas que possam ser tipificadas como crimes.

Reservadamente, Aras repete desde o começo dos trabalhos da CPI que não via prática de crimes por parte do presidente e mesmo do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Afirma acreditar que eles estavam agindo conforme suas respectivas atribuições administrativas – seja na compra de vacinas, seja no desastre em Manaus, seja na prescrição de remédios ineficazes para o tratamento de covid.

É um raciocínio bastante presente nas análises do procurador-Geral. Valeu também, por exemplo, para o episódio da suspeita de interferência de Bolsonaro na PF, apurada a partir da declarações de Sergio Moro ao deixar o governo. Mesmo com o vídeo da reunião ministerial em que o presidente era explícito em suas intenções, Aras opinou que Bolsonaro agiu de acordo com suas prerrogativas constitucionais.

“Não se pode criminalizar o exercício da política”, ele costuma dizer a aliados.

Aras, em síntese, blindou o jacaré.