Elon Musk usou a conta dele no Twitter para dizer que, para ele, o limite da liberdade de expressão é a lei. O empresário comprou a plataforma na segunda-feira, por 44 bilhões de dólares. O negócio colocou em dúvida acordos para o combate de fake news, já que o bilionário é contra as políticas de moderação adotadas pela plataforma nos últimos anos.

“Por ‘liberdade de expressão’, eu simplesmente digo que é aquilo que é compatível com a lei. Sou contra a censura que vá além da lei. Se as pessoas quiserem menos liberdade de expressão, devem pedir que o governo aprove leis nesse sentido. Portanto, ir além da legislação é contrário ao desejo da população”, afirmou.

A declaração é um tanto ligeira e superficial. Considerando de quem se trata, é impossível afirmar que ele vai se amparar apenas na legislação americana ou na de cada país em que o Twitter atua.

Nos últimos anos, o Twitter e outras redes sociais têm recebido intensas críticas pela forma como distribuem conteúdos. O uso de robôs e algoritmos que alienam usuários são os principais problemas apontados. Em resumo, reduzem a capacidade crítica e aumentam as bolhas de medo do diferente, prejudicando a democracia.

A rede sempre foi uma das mais abertas, mas viu o cerco se fechar depois da invasão ao Capitólio. O ex-presidente Donald Trump foi acusado de usar a plataforma para incitar apoiadores a invadirem o Congresso dos EUA, para protestarem contra o resultado das eleições que lhe tiraram do cargo. Cinco pessoas morreram.

Depois disso, o Twitter excluiu a conta de Trump, em uma atitude inédita e impensável até então. Também puxou as orelhas de outros líderes autoritários, como Jair Bolsonaro, e de influenciadores. Passou a marcar conteúdos falsos e adotou diversas medidas de controle.

Musk foi um grande crítico de todas essas medidas. Mas apesar de ser um hard user da rede e um grande influenciador digital, não tinha poder para mudar o cenário, até a compra.

Apoiadores de pessoas que sofreram algum tipo de sanção no Twitter pensam que a chegada de Musk pode ser a chance de postarem o que quiserem, sem censura ou marcações. Outros relembram as redes que prometiam ser o apogeu da liberdade de expressão e acabaram virando espaços de extremistas e criminosos, do tráfico de drogas à pornografia infantil, passando pelo terrorismo (virtual e real).

No Brasil, o TSE é uma das entidades que possuem acordos com a empresa, para a redução de fake news e discurso de ódio. O futuro do acordo segue incerto, como mostrou o Bastidor.

Ainda não se sabe quais são os planos detalhados de Musk para o Twitter. O post dele gera ainda mais dúvidas. Neste momento, é impossível dizer quem está certo no debate – se haverá menos moderação ou se as coisas seguem como estão. O fato é que os usuários não terão nenhum outro assunto relevante para discutirem nos próximos meses, até que as políticas da plataforma sejam atualizadas ou não.