Eleito para cinco comissões na Câmara, o deputado Daniel Silveira está se achando – não sem alguma razão. Tem certeza de que a graça concedida pelo presidente Jair Bolsonaro resolverá definitivamente seus problemas no Supremo e assegurará uma eleição fácil em outubro. Virou herói do bolsonarismo.

Os próceres do centrão são mais pragmáticos. Resolveram aproveitar a oportunidade (o caso Daniel Silveira) para enquadrar o Supremo – para testar a corte e tentar fortalecer os parlamentares perante o tribunal. Um dos principais chefes do centrão qualifica Silveira como “bucha de canhão”. Será usado e, se necessário, sacrificado.

Essa turma encoraja Silveira pela frente e debocha do deputado pelas costas. Em encontro ontem (terça) na Residência Oficial da Presidência da Câmara, os líderes partidários referiram-se jocosamente a Silveira. Além de bucha, o deputado foi chamado de bobo da corte de Bolsonaro.

A aparente cumplicidade dos parlamentares com a baderna de Silveira durará enquanto ele for útil para os donos do Congresso – enquanto obrigar o Supremo a gastar o capital político da corte com o deputado, e não com quem manda de verdade.