Vermelhos ou verdes e amarelos, os atos de primeiro de maio tiveram cores esmaecidas. Os de Bolsonaro pareciam saídos de 1964; os de Lula, de 1980.
A pretexto de defender “a liberdade, a Constituição e a família” e, presume-se, o avanço comunista no Brasil, liderado pelo Supremo, bolsonaristas reuniram-se nas ruas. Até havia gente, sobretudo em São Paulo. Só não havia o que falar.
Ciente de que já ganhou a batalha mais recente com o Supremo, o presidente apenas disse platitudes. Não precisou avançar – nem recuar. “Devo lealdade a todos vocês, temos um governo que acredita em Deus, respeita os seus militares , defende a família e deve lealdade ao seu povo”, afirmou, em chamada de vídeo a apoiadores na Avenida Paulista. Bolsonaro se alimenta de conflitos reais ou imaginários. Não mudará.

No ato de primeiro de maio, em São Paulo, Lula também não tinha nada de novo a oferecer. Como nos dias anteriores, quando passou a falar mais, não articulou nenhuma visão de futuro para o país. Esculhambou Bolsonaro e espinafrou a privatização da Eletrobras. Aludiu que, com ele no Planalto, a inflação será menor e o salário mínimo, maior. Como? Com mais diálogo. “Se preparem, porque alguém melhor do que esse presidente vai ganhar as eleições”, disse.
Lula está acostumado a discursos de primeiro de maio. É um momento de defender conquistas e direitos dos trabalhadores. Não se espera um plano de governo com metas num palanque das centrais. Nunca se esperou. Mas se aguardava – ainda se aguarda – a exposição das ideias que nortearão um eventual governo do petista. A não ser que o eleitorado, incluindo os trabalhadores, deva esperar uma repetição do impossível – da segunda gestão de Lula. Para botar comida na mesa e filho na escola, é insuficiente não ser Jair Bolsonaro.
Se os dois principais candidatos falam como se não estivessem em 2022, ou como se quisessem vencer as eleições para permanecer ou regressar a um passado ilusório, o futuro do atraso está garantido.

