Conforme se aproxima a votação da lista dos candidatos às duas vagas abertas no Superior Tribunal de Justiça, intensificam-se as articulações e se consolidam alguns nomes mais fortes. Nas últimas horas, o Bastidor conversou sobre a eleição com ministros do tribunal e partícipes das campanhas dos desembargadores federais. A votação ocorrerá amanhã (quarta) de manhã.
A formação de listas no STJ é um processo político discreto e afeito a acordos tardios, capazes de alterar a composição. Feita essa ressalva relevante, a tendência, até a noite de terça e segundo as fontes ouvidas pela reportagem, é de uma lista final com os seguintes nomes (não necessariamente nessa ordem, em termos de votos absolutos):
- Paulo Sérgio Domingues – desembargador do TRF3 e ex-presidente da Associação de Juízes Federais, tem apoio sólido de ministros paulistas e simpatia do colegiado. Talvez seja o único nome de consenso para compor a lista final;
- Ney Bello – desembargador do TRF1, tem apoio de Gilmar Mendes e vem derrubando resistências nos últimos dias. Há quem o queira na lista porque o apoia e há quem o queira na lista porque, por apostar em outro nome, acredita que o presidente não o nomeará;
- Fernando Quadros – desembargador do TRF4 e ex-assessor de Fachin, consolidou-se como candidato dos ministros dos três estados do Sul, após longa hesitação deles. Como no caso de Ney Bello, há aqueles que o querem na lista final porque acreditam que Bolsonaro jamais o nomearia, em face da relação dele com Fachin; e
- Messod Azulay – presidente do TRF2, o desembargador é apoiado por Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves e demais ministros do Rio. Sua candidatura conta com pesado trabalho político e se fortalece à medida que a votação se aproxima, em detrimento aparente do desembargador Alusio Mendes, candidato de Luiz Fux. A existência de dois nomes rachou o habitualmente coeso grupo do Rio.
Além dos acordos de véspera, que ainda podem ocorrer, os nomes finais da lista dependem de decisões rápidas dos ministros no momento da votação. Devem ser 30 votantes amanhã (quarta). Trata-se de um processo bizantino e confuso, que provavelmente exigirá mais de uma rodada (“escrutínio”) de votação. Cada votação permite novos acordos e novas leituras sobre os nomes que, a cada ministro ou a cada grupo, mais interessam estar na lista final. Daí a possibilidade de surpresas, representadas, sobretudo, em nomes como Daniele Maranhão e Carlos Augusto Brandão, ambos do TRF1.
A lista com quatro nomes será encaminhada a Jair Bolsonaro. O presidente escolherá dois deles para indicar ao tribunal. O Senado, em seguida, chancela as indicações, após sabatina meramente formal – ao menos sempre foi assim.

