O deputado Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde da gestão de Dilma Rousseff, tem circulado pelos mais diversos setores para defender a candidatura do ex-presidente Lula.
Nas últimas semanas, Padilha andou pelo mercado financeiro, manteve conversas com parlamentares e lideranças do PP e do PL –não apenas os do Norte e Nordeste, onde há mais chances de abandono a Jair Bolsonaro – e manteve diálogo com segmentos evangélicos.
O movimento do deputado não é fruto de ação voluntária. Foi um pedido do ex-presidente Lula. O petista avalia que o deputado tem boas entradas nos grupos considerados hostis ao partido.
Padilha é evangélico, deputado federal e, quando se candidatou ao governo paulista, iniciou boas relações com o mercado financeiro.
Nos encontros, Padilha repete a história de Lula. Diz que o ex-presidente, seja no sindicato, seja na liderança do PT ou na Presidência da República, sempre foi dado a negociação.
O Bastidor conversou com interlocutores do petista, que relataram em linhas gerais as conversas.
Padilha, dizem seus interlocutores, até admite que Lula pode eventualmente estar mordido com o que ocorreu com ele –impedimento de participar das eleições de 2018 e sua prisão–, mas que não atuará pautado pela vingança.
Segundo o deputado, o ex-presidente está na sua versão 2.0 do Lulinha Paz e Amor, porque está maduro e tem a experiência de já ter governado o país.
Lula manterá, tem prometido Alexandre Padilha, diálogo com o Congresso. Assegurará participação forte de parlamentares no governo e o repasse de verbas para atendimento das demandas locais, por meio de emendas parlamentares. “Não as secretas”, acrescentou a um interlocutor.
E, embora o petista não queira manter o protagonismo do presidente da Câmara, o deputado diz que num eventual governo Lula o trabalho parlamentar será prestigiado.
De acordo com petistas envolvidos na pré-campanha, Lula gosta da articulação silenciosa de Alexandre Padilha. Acha que o deputado, por não ser dado a confrontos, consegue construir pontes, que outros parlamentares são incapazes.
A aposta, diz um correligionário, é que o deputado assuma um papel no governo. Ainda não se sabe qual.

