Ex-senador pelo MDB e integrante do grupo do partido que tenta manter domínio na área de energia do governo, o ministro do TCU Vital do Rêgo, o Vitalzinho, atrapalhou o quanto pôde o julgamento da privatização da Eletrobras. Adiou por duas vezes o processo. Após o segundo pedido do vista, levará a seus colegas hoje um voto contrário à operação. Mas será vencido – mais uma vez.

Salvo reviravolta, os ministros do TCU esperam encerrar nesta tarde o julgamento. Assim, o governo estará livre para prosseguir com a capitalização da empresa. A equipe de Paulo Guedes e a cúpula da Eletrobras acreditam que será possível promover a oferta de ações ainda no primeiro semestre – um objetivo ambicioso. Passam a depender apenas deles. E do mercado, claro. (O mandado de segurança impetrado pela oposição no Supremo, para impedir o negócio, dificilmente prosperará; cairá com Kassio.)

Aliado de Lula, de Renan e de Sarney, Vitalzinho é contra a privatização desde o início. Como revelou o Bastidor, ele conseguiu nomear um aliado no TRE da Paraíba ao negociar com o governo o fim de seu primeiro pedido de vista. A dupla Vitalzinho e Bruno Dantas também conseguiu emplacar Alexandre Barreto como superintendente do Cade.

Agora, contudo, a capitalização da Eletrobras, se bem sucedida, expulsará apaniguados do MDB e do PT que prosseguem empregados na vasta estrutura da estatal. A destruição do feudo do MDB do Senado na Eletrobras será o maior golpe no grupo nos últimos anos.