Na disputa para ganhar a chance de perder em outubro, ninguém vence João Doria – ao menos em disposição. 

A escolha informal de Simone Tebet como candidata da terceira via, nome fantasia da tentativa de aliança entre MDB e PSDB, com o Cidadania no banco de trás, açulou os piores instintos do ex-governador de São Paulo. 

A aliados, Doria reiterou que não admitirá ter seu direito de concorrer à Presidência pelo PSDB anulado pela sabotagem de adversários – por adversários, entenda-se Aécio Neves. Ir à Justiça será o movimento mais suave que fará, em caso de insistência no nome de Tebet como ardil para subtrair os esforços do PSDB para ter candidato próprio ao Planalto. 

Fala-se muito na divisão perene do PSDB, mas pouco na fragmentação do MDB. Em ambos os partidos, são muitos os que preferem concentrar dinheiro e energia em candidaturas regionais. 

Essas alas partidárias hostis a candidaturas próprias à Presidência reconhecem algo que se apresenta como fato político: a eleição será decidida entre Bolsonaro e Lula. É possível admitir essa polarização sem ignorar as chances do imponderável em ano eleitoral. 

Não há, contudo, argumentação razoável nem imaginação narrativa que supere a aritmética da eleição que se aproxima. Três por cento nas pesquisas agora não vão virar 30 em outubro.

Ninguém está tão convencido a mostrar que todos estão errados quanto Doria. Por isso ele quer manter o direito de perder.