O jurista Ives Gandra Martins se consagrou como principal doutrinador do bolsonarismo. Empresta verniz acadêmico a teses caras à parte dos apoiadores do presidente. Ganha, também, cada vez mais popularidade entre segmentos do bolsonarismo no empresariado.
O doutor Ives conquistou seguidores após endossar – solitariamente – a tese inconstitucional de que as Forças Armadas podem ser um Poder Moderador da República. Em português claro: que os militares podem dar um golpe.
Ao criticar o Supremo, qualificando a corte de partido de oposição, por soltar Lula e perseguir Bolsonaro, entre outras questões, Ives encantou de vez os bolsonaristas.
Ao contrário de outros críticos do Supremo em universidades e na comunidade jurídica, Ives jamais menciona Bolsonaro como um fator que contribua para o que chama de crise institucional.
Conforme a crítica ao Supremo se torna partidária e é cooptada pelo bolsonarismo, estabelecendo uma polarização ideológica e política entre o presidente e o tribunal, Ives ganha notoriedade e admiradores entre os apoiadores de Bolsonaro. Pelo o que diz – e, sobretudo, pelo o que não diz.
Ontem, recebeu homenagem de empresários em São Paulo, em evento no qual foi aplaudido. Será chamado para falar com mais frequência em ambientes favoráveis às suas teses – sempre alinhadas a Bolsonaro.

